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publicado originalmente no Jornal Vaia
Acordou chorando naquela madrugada. A mãe foi até o quarto dele, ver se estava tudo bem:
- O que foi, filho?
Ele, com as mãos tampando o rosto, ainda com medo.
- Tive um terrível pesadelo, mãe - disse a criança.
- Não tenha medo disso, não, meu filho. Pesadelos são bons para nós valorizarmos os bons sonhos...
- Mas esse pesadelo não.
- O que você sonhou?
- Sonhei que eu era um personagem de um conto, de um escritor de metaficção.
A mãe, ainda preocupada com o filho, que ocasionalmente saíam lágrimas em seus olhos, disse, afagando os cabelos da criança:
- Filho, isso é impossível. Por que você seria um personagem de metaficção? Jamais. Isso o que vivemos é a realidade.
- Mas foi tão real, o sonho. O pesadelo. Nele, você falava exatamente essas palavras... exatamente este diálogo...
- Não é isso, filho... você pensou isso a posteriori... depois que tivemos esse diálogo, você associou com o sonho, e teve uma lembrança falsa. Apenas isso, filho.
- E esse escritor... esse metaficcionista... era muito mau... fazia com que eu confundisse até se eu existia ou não... foi muito pior do que sonhar quando eu estava morrendo, lembra, mãe?
- Lembro, sim, filho. Você sempre sonhava com a morte, com sua morte, e o que eu sempre dizia?
- Que sonhar com a morte era porque eu viveria bastante.
- Então. É a mesma coisa com esse sonho. Você sonhou com a ficção, significa que você viverá bastante a realidade. Volte a dormir, sim, filho?
- Tá bom, mãe.
- Boa noite.
- Boa noite - disse a criança, puxando para si o cobertor, enquanto que sua